domingo, 24 de abril de 2016

JOGOS DOS POVOS INDÍGENAS -1º postagem de atualidades

                                  ÍNDIOS E SEUS JOGOS OLÍMPICOS
   Sempre que pensamos em um tipo de competição desportiva, pensamos em Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e até em algum que o nosso país participa muito pouco, como as Olimpíadas de Inverno. Porém, nunca imaginamos os Jogos dos Povos Indígenas.
   Organizado pelo Comitê Intertribal Indígena, com apoio do Ministério dos Esportes, os Jogos dos Povos Indígenas têm o seguinte mote: “O importante não é competir, e sim, celebrar”. A proposta é recente, já que a primeira edição dos jogos ocorreu em 1996, e tem como objetivo a integração das diferentes tribos, assim como o resgate e a celebração dessas culturas tradicionais. A edição dos Jogos de 2003, por exemplo, teve a participação de sessenta etnias, dentre elas os Kaiowá, Guarani, Bororo, Pataxó e Yanomami. A última edição ocorreu em 2009 e foi a décima vez em que o torneio foi realizado. A periodicidade dos Jogos é anual, com exceção do intervalo ocorrido em 1997, 1998, 2006 e 2008 quando não houve edições.
   É interessante notar que as sedes dos Jogos são sempre em locais afastados das grandes cidades, contrariando a lógica dos torneios desportivos, mas extremamente coerente com a proposta indígena: em 1996 foi em Goiânia (GO); em 1999 em Guaía (PR); em 2000 em Marabá (PA); em 2001 no Pantanal (MS); em 2002 em Marapanim (PA); em 2003 em Palmas (TO); em 2004 em Porto Seguro (BA); em 2005 em Fortaleza (CE); em 2007 em Olinda (PE); em 2009 em Paragominas (PA).
   As modalidades disputadas variam um pouco entre os torneios, mas basicamente são as que seguem:
   - Arco e Flecha: Arma muito utilizada para caça, rituais e para a guerra. Na maioria das tribos o arco é feito de caule de Palmeira (tucum), mas existem algumas exceções: podem ser usados o aratazeiro, o pau-ferro, o ipê-amarelo e a aruerinha. O tamanho do arco varia de acordo com o uso que se fará do arco e com o costume da tribo. A flecha é feita de bambu, com variações nas pontas. Na primeira edição dos jogos, a organização forneceu o equipamento para todos os participantes, fato que impediu bons rendimentos nessa prova. Porém, nas outras edições dos Jogos, permitiu-se que os índios utilizassem o seu próprio equipamento. Cada delegação pode inscrever dois participantes diferentes, cada um com direito a três tiros. O alvo se localiza a uma distância de 30 metros e é marcado pelo desenho de um peixe;
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   - Cabo de Guerra: É disputada em equipe, cujo objetivo é o de medir a força física dos participantes. Vencer o cabo de guerra significa ter os índios mais bem preparados para o confronto físico, e por isso é uma das provas mais esperadas dos Jogos. Cada tribo pode inscrever duas equipes (uma masculina e uma feminina), com dez participantes cada uma;
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   - Canoagem: A canoa é o meio de transporte mais tradicionalmente utilizado pelas tribos indígenas, porém o tipo de canoa e o material utilizado para sua fabricação é bastante variável. Por isso, foi escolhida a canoa fabricada pelos Rikbatsa (navegável por todas as tribos), como o modelo oficial da disputa. Cada delegação deve enviar dois atletas;
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   - Corrida com Tora: As toras, feitas de buriti, e com massa em torno de 100 Kg, devem ser carregadas pela equipe ao percorrerem uma distância pré-determinada. Para a competição, cada equipe deve inscrever dez participantes;
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   - Xikunahity: Esse esporte também é conhecido como futebol de cabeça. Em lugar do chute, a bola é empurrada com a cabeça dos participantes. O jogo é disputado por equipes de dez atletas em um campo de dimensões próximas ao do futebol.
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   Outras competições mais próximas de nosso conhecimento também são disputadas nos Jogos dos Povos Indígenas, como o atletismo (100 metros rasos) e o futebol.

postagem artes livre

Foto: Carlos Avelin


Projetado para ser um cassino no início da década de 1940, durante a administração do prefeito Juscelino Kubitschek, o prédio que abriga hoje o Museu de Arte da Pampulha (MAP) foi o primeiro projeto de Oscar Niemeyer para o Conjunto Arquitetônico da Pampulha. Sua concepção foi influenciada pelos princípios funcionalistas do arquiteto Le Corbusier. Os jardins que circundam o prédio, criados pelo paisagista Roberto Burle Marx, têm como característica principal sua composição de formas sinuosas, com grandes blocos ou manchas de cores, construídas com espécies da nossa flora brasileira. Ao paisagismo de Burle Marx foram incorporadas as estátuas de Ceschiatti, Zamoiski e José Pedrosa.

Tão logo foi inaugurado, na década de 1940, o local passou a atrair jogadores de todo o Brasil, transformando a vida noturna de Belo Horizonte, movimentando uma região que não era tão povoada. Com a proibição do jogo no Brasil em 1946, o prédio do Cassino esteve fechado por cerca de dez anos. Em 1957 foi criado o Museu de Arte. Datam dessa época as primeiras doações de obras que hoje compõem o acervo do Museu. Destacam-se trabalhos de Alberto da Veiga Guignard, Emiliano Di Cavalcanti, Ivan Serpa, Tomie Ohtake, Franz Weissman e Amilcar de Castro, além de uma significativa coleção de gravuras brasileiras, que conta com importante produção de Oswaldo Goeldi. Outra parte da coleção é procedente dos prêmios dos Salões de Arte, que tiveram grande repercussão e influência nas décadas de 1960 e 1970. O acervo com cerca de 1.500 obras é mostrado ao público periodicamente, em exposições produzidas para espaços culturais da Capital e de outras cidades mineiras. O Museu é tombado nas esferas municipal, estadual e federal.

O MAP oferece continuamente visitas orientadas, técnicas e mediadas, incluindo também oficinas, atividades e exercícios práticos, encontros e conversas com artistas e convidados.

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 que há de novo para dizer sobre Inhotim que ninguém tenha dito antes? Ainda estou para ler algum relato sóbrio -- que dirá decepcionado. A reação parece ser uma só: visitou, deslumbrou. Todo mundo vai com expectativas altíssimas criadas por visitantes anteriores, e ainda assim consegue sair maravilhado.
Matthew Barney em Inhotim
Talvez isso aconteça porque Inhotim não se entrega totalmente por imagens. A visita a Inhotim é indescritível, na acepção mais literal da palavra. Você pode até achar que já viu isso antes -- um jardim de esculturas, um museu dentro de um parque -- mas a dimensão do lugar, e a relação das obras com o espaço, fazem da visita aInhotim uma experiência singular.
Diango Hernández em Inhotim
E quem está falando (presente!) não é um rato de museu, não. Tenho pouca paciência com o gênero. 90 minutos, duas horas no máximo é o que agüento antes de virar abóbora. Até a cara de conteúdo eu costumo perder no meio do caminho. Em museus grandes e sobretudo em bienais acabo sofrendo uma overdose conceitual. Entro em coma artístico.
Adriana Varejão no Inhotim
Adriana Varejão no Inhotim
Mas não, isso não aconteceu comigo em Inhotim.
Eu não entendo xongas de arte, mas pelo jeito que fui tocado por tudo o que vi, me arrisco a palpitar que a curadoria busca obras que causem impacto também no público leigo. Nada passa batido. Pelo menos algum dos seus sentidos vai entender por que aquilo foi posto lá para você contemplar (às vezes, interagir).

1 postagem artes

arte contemporânea é construída não mais necessariamente com o novo e o original, como ocorria no Modernismo e nos movimentos vanguardistas. Ela se caracteriza principalmente pela liberdade de atuação do artista, que não tem mais compromissos institucionais que o limitem, portanto pode exercer seu trabalho sem se preocupar em imprimir nas suas obras um determinado cunho religioso ou político.
Esta era da história da arte nasceu em meados do século XX e se estende até a atualidade, insinuando-se logo depois da Segunda Guerra Mundial. Este período traz consigo novos hábitos, diferentes concepções, a industrialização em massa, que imediatamente exerce profunda influência na pintura, nos movimentos literários, no universo ‘fashion’, na esfera cinematográfica, e nas demais vertentes artísticas. Esta tendência cultural com certeza emerge das vertiginosas transformações sociais ocorridas neste momento.
Os artistas passam a questionar a própria linguagem artística, a imagem em si, a qual subitamente dominou o dia-a-dia do mundo contemporâneo. Em uma atitude metalingüística, o criador se volta para a crítica de sua mesma obra e do material de que se vale para concebê-la, o arsenal imagético ao seu alcance.
Nos anos 60 a matéria gerada pelos novos artistas revela um caráter espacial, em plena era da viagem do Homem ao espaço, ao mesmo tempo em que abusa do vinil. Nos 70 a arte se diversifica, vários conceitos coexistem, entre eles a Op Art, que opta por uma arte geométrica; a Pop Art, inspirada nos ídolos desta época, na natureza celebrativa desta década – um de seus principais nomes é o do imortal Andy Warhol; o Expressionismo Abstrato; a Arte Conceitual; oMinimalismo; a Body Art; a Internet Street e a Art Street, a arte que se desenvolve nas ruas, influenciada pelo grafit e pelo movimento hip-hop. É na esteira das intensas transformações vigentes neste período que a arte contemporânea se consolida.
Ela realiza um mix de vários estilos, diversas escolas e técnicas. Não há uma mera contraposição entre a arte figurativa e a abstrata, pois dentro de cada uma destas categorias há inúmeras variantes. Enquanto alguns quadros se revelam rigidamente figurativos, outros a muito custo expressam as características do corpo de um homem, como a Marilyn Monroe concebida por Willem de Kooning, em 1954. No seio das obras abstratas também se encontram diferentes concepções, dos traços ativos de Jackson Pollok à geometrização das criações de Mondrian. Outra vertente artística opta pelo caos, como a associação aleatória de jornais, selos e outros materiais na obra Imagem como um centro luminoso, produzida por Kurt Schwitters, em 1919.
Os artistas nunca tiveram tanta liberdade criadora, tão variados recursos materiais em suas mãos. As possibilidades e os caminhos são múltiplos, as inquietações mais profundas, o que permite à Arte Contemporânea ampliar seu espectro de atuação, pois ela não trabalha apenas com objetos concretos, mas principalmente com conceitos e atitudes. Refletir sobre a arte é muito mais importante que a própria arte em si, que agora já não é o objetivo final, mas sim um instrumento para que se possa meditar sobre os novos conteúdos impressos no cotidiano pelas velozes transformações vivenciadas no mundo atual.

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O valor dos contratos da prefeitura do Rio com Contemat e a Concrejato, empreiteiras que construíram a ciclovia da Niemeyer – cujo trecho de 20 metros desabou na quinta-feira (21) e matou duas pessoas –, cresceu 2.132% desde 2009, início da gestão do prefeito Eduardo Paes. As empresas pertencem à família do secretário de Turismo do Rio, Antonio Pedro Figueira de Mello, que foi tesoureiro das campanhas de Paes. As informações, exclusivas, são da Globonews.
O valor dos contratos da Contemat e Concrejato com a prefeitura aumentou mais de 21 vezes desde 2009. Um consórcio, formado pelas duas empresas, construiu a ciclovia Niemeyer. As empresas fazem parte do grupo empresarial Comcremat.
Um levantamento feito pela Globonews no site Rio Transparente, da Prefeitura do Rio, revela que, entre 2000 e 2008, a Contemat e a Concrejato tiveram contratos com o município no valor de R$ 8,750 milhões.

No fim da noite de sexta-feira, a assessoria da prefeitura do Rio informou que o valor de R$ 8,5 milhões foi pago apenas no ano de 2008, e não de 2000 a 2008, como afirmado na reportagem. No entanto, os dados foram tirados do site Rio Transparente mantido pela própria prefeitura.

Desde 2009, primeiro ano da gestão de Paes, até este ano, o valor dos contratos com as duas empresas ultrapassou R$ 186 milhões, ou seja, um aumento de 2.132%.
O maior contrato da Concrejato com a prefeitura foi assinado em 2013 e já foi encerrado. A empresa recebeu R$ 66,5 milhões para a recuperação estrutural do Elevado das Bandeiras, que liga São Conrado, na Zona Sul da cidade, à Barra da Tijuca, na Zona Oeste.
A Secretaria Municipal de Obras do Rio informou que desde 2009 executou R$ 19bilhões em obras e serviços divididos em 1559 contratos, cuja execução coube a 310 empresas diferentes. A secretaria disse também que R$ 266 milhões foram pagos às empresas do grupo Concremat distribuídos em 39 contratos. Segundo a secretaria isso, representa 1,14% do total de contratos.
Obra custou R$ 44 milhões
Já a ciclovia da Niemeyer é o maior contrato do município com a Contemat custou R$ 44,7 milhões. A obra custou 25% a mais do orçado inicialmente, e teve o prazo de conclusão prorrogado em sete meses – 72% desse dinheiro veio de um empréstimo do BNDES. O restante saiu dos cofres da prefeitura.
A assessoria do secretrário municipal de Turismo, Antonio Pedro Viegas Figueira de Mello, disse que quem deve se manifestar é a secretaria municipal de Obras. Em nota divulgada na quinta-feira, Antonio Pedro disse que jamais trabalhou ou teve qualquer participação nos negócios da Comcremat, empresa fundada por seu avô há mais de 60 anos.
O secretário disse ainda que ligar seu nome aos negócios da empresa simplesmente em função do parentesco é infundado e leviano. A assessoria da Concremat informou que não vai se manifestar.

1 postagem atualidades

Washington, 23 Out 2015 (AFP) - Uma fábrica que opera para a Apple na China abriga seus funcionários em dormitórios superlotados, cheios de mofo e infestados de insetos, denunciou nesta quinta-feira uma organização não governamental que audita as organizações de trabalho.

A investigação secreta, feita pela China Labor Watch na fábrica de iPhones em Xangai, operada pela taiwanesa Pegatron Group, é a última de uma série de investigações que documentam as péssimas condições de trabalho de operários das fábricas terceirizadas pela Apple.

"Persistem os baixos salários, as longas jornadas de trabalho, o trabalho não remunerado, as medidas de segurança precárias e as condições de vida desprezíveis", indicou o informe, segundo o qual foram detectadas cerca de duas dezenas de "violações de direitos trabalhistas legais e éticos".

Embora a Apple tenha prometido melhorar as condições de trabalho dos terceirizados a quem terceiriza a produção de seus equipamentos, o informe assegura que os problemas persistem desde que foi publicado, em 2013, o informe sobre três fábricas chinesas operadas pelo mesmo grupo taiwanês.

"Sem considerar o pagamento de horas extras, os trabalhadores que fabricam os iPhones ganham apenas o salário local mínimo de 318 dólares por mês, ou seja, US$ 1,85 a hora. Isto não dá para viver", destacou o relatório.

"Depois de suas longas jornadas, os trabalhadores pegam um ônibus que, em meia hora, os leva aos seus dormitórios, onde até 14 pessoas dormem confinadas em um único quarto. O mofo cresce sem controle nas paredes e as camas estão cheias de percevejos; muitos trabalhadores estão cobertos de picadas vermelhas", prosseguiu.

Ainda segundo o informe, a saúde e a segurança são suas maiores preocupações porque esta fábrica usa muitas substâncias tóxicas, entre elas mercúrio e arsênico. No entanto, "ninguém diz aos trabalhadores nada sobre a localização desta ou aquela substância no processo de produção ou como fazer para se proteger de sair ferido".

O relatório citou um total de 23 violações, entre elas a falta de treinamento e equipamento, cuja segurança é inadequada.

"Infelizmente, as horrendas condições de vida e de trabalho que os trabalhadores da Pegatron enfrentam em 2015 não são melhores do que as que vimos em 2013", prosseguiu.

O grupo citou "melhoras limitadas" em algumas áreas, como por exemplo a semana de trabalha média, que diminuiu de 63 para 60 horas.

A Apple não respondeu por enquanto às solicitações da AFP a fazer comentários.

A gigante da tecnologia já enfrentou críticas no passado pelas condições de trabalho da Foxconn, outra terceirizada com sede em Taiwan.Washington, 23 Out 2015 (AFP) - Uma fábrica que opera para a Apple na China abriga seus funcionários em dormitórios superlotados, cheios de mofo e infestados de insetos, denunciou nesta quinta-feira uma organização não governamental que audita as organizações de trabalho.

A investigação secreta, feita pela China Labor Watch na fábrica de iPhones em Xangai, operada pela taiwanesa Pegatron Group, é a última de uma série de investigações que documentam as péssimas condições de trabalho de operários das fábricas terceirizadas pela Apple.

"Persistem os baixos salários, as longas jornadas de trabalho, o trabalho não remunerado, as medidas de segurança precárias e as condições de vida desprezíveis", indicou o informe, segundo o qual foram detectadas cerca de duas dezenas de "violações de direitos trabalhistas legais e éticos".

Embora a Apple tenha prometido melhorar as condições de trabalho dos terceirizados a quem terceiriza a produção de seus equipamentos, o informe assegura que os problemas persistem desde que foi publicado, em 2013, o informe sobre três fábricas chinesas operadas pelo mesmo grupo taiwanês.

"Sem considerar o pagamento de horas extras, os trabalhadores que fabricam os iPhones ganham apenas o salário local mínimo de 318 dólares por mês, ou seja, US$ 1,85 a hora. Isto não dá para viver", destacou o relatório.

"Depois de suas longas jornadas, os trabalhadores pegam um ônibus que, em meia hora, os leva aos seus dormitórios, onde até 14 pessoas dormem confinadas em um único quarto. O mofo cresce sem controle nas paredes e as camas estão cheias de percevejos; muitos trabalhadores estão cobertos de picadas vermelhas", prosseguiu.

Ainda segundo o informe, a saúde e a segurança são suas maiores preocupações porque esta fábrica usa muitas substâncias tóxicas, entre elas mercúrio e arsênico. No entanto, "ninguém diz aos trabalhadores nada sobre a localização desta ou aquela substância no processo de produção ou como fazer para se proteger de sair ferido".

O relatório citou um total de 23 violações, entre elas a falta de treinamento e equipamento, cuja segurança é inadequada.

"Infelizmente, as horrendas condições de vida e de trabalho que os trabalhadores da Pegatron enfrentam em 2015 não são melhores do que as que vimos em 2013", prosseguiu.

O grupo citou "melhoras limitadas" em algumas áreas, como por exemplo a semana de trabalha média, que diminuiu de 63 para 60 horas.

A Apple não respondeu por enquanto às solicitações da AFP a fazer comentários.

A gigante da tecnologia já enfrentou críticas no passado pelas condições de trabalho da Foxconn, outra terceirizada com sede em Taiwan.
Atualidades

O vaivém dos cérebros migrantes
2014 . Ano 10 . Edição 80 - 23/06/2014
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O vaivém dos cérebros migrantes Profissionais qualificados cruzam o país em busca de melhores oportunidades de trabalho e qualidade de vida, criando fluxos de migração interna que ajudam no desenvolvimento e na desconcentração populacional
Marcello Sigwalt
Desde a chegada dos portugueses, há cinco séculos, o Brasil foi ocupado por ondas de imigrantes das mais diferentes etnias. Todavia, o país foi ocupado, principalmente, pelo incessante ir e vir dos próprios brasileiros. A atual distribuição espacial da população é marcada por intensos fluxos migratórios, em diferentes períodos de nossa história e com motivações diversas. Temos as expedições bandeirantes que cumpriam a dupla finalidade de explorar os recursos minerais e assegurar a ocupação política do território no Brasil Colônia. Há também migrações de natureza climática, como as que ocorreram no Nordeste em razão da seca, que, somadas a outros motivos, desde o fim do século XIX empurraram grandes contingentes humanos em direção às metrópoles do Centro-Sul em busca de outra perspectiva de vida. Ou, ainda, por motivação econômica, desde os Soldados da Borracha, que se dispersaram pelas entranhas da Amazônia para explorar os seringais, durante a Segunda Guerra Mundial, passando pelos mineiros e nordestinos que, entre as décadas de 1950 e 1970, buscaram vagas na emergente indústria paulista, até os gaúchos empreendedores que há duas décadas vêm instaurando o agronegócio no Centro-Oeste.
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A pesquisa – que abrangeu 558 microrregiões geográficas, envolvendo todos os municípios brasileiros – definiu três níveis educacionais para uma faixa populacional de 18 anos ou mais de idade: baixa escolaridade, que abrange desde os indivíduos sem nenhuma escolarização formal até aqueles que não concluíram o ensino médio; média escolaridade, que compreende desde aqueles com ensino médio completo até as pessoas com 25 ou mais com ensino superior incompleto, e alta escolaridade, que leva em conta todo indivíduo com ensino superior completo, mais os jovens entre 18 e 24 anos que cursam esse nível.Mas esse perfil começa a dar sinais de mudança. Em vez de flagelados, agora é o pessoal de alta qualificação profissional que ganha destaque entre os milhares de brasileiros que percorrem as regiões e cidades brasileiras. São os chamados cérebros migrantes. Como os migrantes do passado, saem atrás de uma vida melhor. Mas há algumas diferenças essenciais no perfil, conforme detectou a pesquisa A Migração como Fator de Distribuição de Pessoas com Alta Escolaridade no Território Brasileiro, desenvolvida pelos técnicos do Ipea Agnes de França Serrano, Larissa de Morais Pinto, Ana Luiza Machado de Codes e Herton Ellery Araújo. Para começar, esses migrantes têm alta escolaridade e não fogem das adversidades, mas buscam melhores oportunidades profissionais e desenvolvimento pessoal. E o mais singular: esse corte populacional tem demonstrado maior vigor para migrar, por apresentar uma condição financeira superior à daqueles de baixa escolaridade.
Mas qual seria o lugar ideal para morar? As cidades que ofereçam,simultaneamente, melhor colocação profissional, remuneração mais atraente, acesso ao ensino superior ou descanso e lazer. Esses são alguns dos ingredientes que formam a receita da aventura dos cérebros migrantes que têm, como meta comum, a conquista do bem-estar, qualidade de vida e um futuro tranquilo. Contudo, tão ou mais importante do que aferir as causas do fluxo migratório é apurar seu efeito de redistribuição da inteligência nacional em diferentes pontos do país.
DOADORES E RECEPTORES
A pesquisa do Ipea – que se baseia na observação do comportamento dos fluxos migratórios nos cinco anos anteriores a cada um dostrês últimos Censos do IBGE – de 1991, 2000 e 2010 – serviu para compreender melhor os caminhos traçados nesse movimento, normalmente precedido por outro, de capital e investimentos, privados ou públicos, que visam a obter o melhor custo-benefício em sua localização regional.
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De acordo com os últimos três Censos Demográficos do IBGE, é possível observar que a taxa de migração de pessoal de alta escolaridade está acima da média nacional, na qual são consideradas todas as escolaridades, embora ambas sejam declinantes. Pelo Censo de 1991, a taxa de migração era de 8,9% entre o pessoal com curso superior, contra 7,9% da média nacional (de todas as escolaridades). No Censo de 2000, a relação era de 8,5% contra 7,1%. Por fim, o Censo de 2010 registrou uma taxa de 7,8% de pessoal qualificado, bem superior à média nacional, de 5,7%.
Um dos destaques da pesquisa é o uso de duais dos índices de Herfindahl- Hirschman, pelos quais é possível medir o índice de concentração populacional no país. De acordo com esse critério, houve desconcentração populacional, de 10,1%, em 1991, para 12,1%, em 2010.
A menor concentração populacional do país pertence à microrregião de Tomé-Açu (PA), nos arredores de Belém, que apresenta índice de 2%. Na outra ponta aparece Brasília, que registra 24,2% de sua população com alta escolaridade, consolidando-se como maior centro do país na absorção desse perfil socioeconômico.
PRINCIPAIS ORIGENS
As duas maiores regiões metropolitanas brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, estão no topo das perdas de pessoal de alta qualificação, ao passo que Brasília, Curitiba e Florianópolis figuram entre as maiores receptoras desse grupo. Entretanto, mesmo nas perdas, há diferenças claras de perfil. Enquanto no caso paulista isso ocorre no mesmo estado, no Rio de Janeiro elas ultrapassam suas fronteiras, chegando à capital federal, que reúne qualidade de vida e oportunidades de acesso relativamente rápido ao setor público. Próximas a São Paulo, as capitais paranaense e catarinense também têm se beneficiado do processo de desconcentração populacional.
O acompanhamento em detalhe do caminho dos profissionais de alta qualificação pelo país permitiu identificar grupos distintos da população com alta escolaridade. É o caso de pessoas de idade mais avançada, que preferem deixar São Paulo por cidades médias do próprio estado, com melhor qualidade de vida e a um custo menor que, no caso dos aluguéis, é significativamente inferior ao existente na capital paulista.
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O maior poder aquisitivo desse segmento pessoal tem atraído investimentos por parte de uma rede emergente de clínicas de repouso, de reabilitação ou lazer, mas também executivos, haja vista a proliferação de heliportos em casas de luxo dessas regiões.
EXECUTIVOS E APOSENTADOS
Entre as cidades que mais receberam membros dessa faixa, destaque para Itapecerica da Serra (6.243), Osasco (6.097), Campinas (3.728) e Santos (3.373). Na relação com São Paulo, o Rio de Janeiro perde 1.800 pessoas de alta escolaridade, ou seja, “doa” mais do que recebe essa mão de obra qualificada. Essa doação deve ser entendida não como uma perda, mas como um melhor aproveitamento de mão de obra especializada em locais em que há mais demanda. São Paulo enfrenta hoje um processo de periferização pelo qual as pessoas de alta escolaridade preferem se deslocar da região metropolitana, “se derramando para o seu entorno”, explica Herton Ellery Araújo, diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea e um dos autores da pesquisa.
Depois de priorizar cidades mais próximas à região metropolitana paulista, esse grupo qualificado busca também outros destinos relativamente mais distantes, como estâncias termais da região de São Lourenço (MG), Ribeirão Preto e Campinas (SP) e Florianópolis, capital catarinense também na mira de executivos paulistas, além das cidades industriais do norte do estado, como Blumenau, Joinville e Jaraguá do Sul.
TRANSBORDAMENTO DA MEGALÓPOLE
A trajetória dos fluxos migratórios em São Paulo, medida nos últimos três Censos Demográficos pelo IBGE, não revela tendência de alta ou baixa no fluxo de pessoal de alta escolaridade para essa microrregião, no médio e no longo prazo. Em termos de saldos negativos (mais saídas do que entradas de migrantes), os Censos mostraram desaceleração do ritmo de desconcentração populacional. Isso porque, pelo Censo de 1991, a capital paulista havia perdido 20 mil pessoas, que passaram a 35,9 mil no Censo de 1995, até cair para 30,8 mil indivíduosno Censo de 2005. Atualmente, São Paulo está perdendo gente de todas as escolaridades, acumulandord80not01img05sucessivos saldos migratórios negativos desde a década de 1990. Isso não significa que a população local esteja diminuindo, pois há o crescimento vegetativo da população.
CAPITAL DA ESPERANÇA
Assim como as origens, o estudo revela os principais destinos dos canudos universitários viajantes. É o caso do Distrito Federal, que se consolidou, nos últimos anos, na posição de maior polo receptor de cérebros do país, os quais buscam oportunidades de ingresso no setor público, por meio de concursos a cargos em órgãos federais. A migração de pessoal qualificado não parou de crescer, desde 1986-1991, quando registrou a entrada de 962 nesse período. No Censo de 2000, esse saldo positivo saltou para 10 mil, até chegar a 17 mil no último Censo, de 2010, quando Brasília absorveu mais pessoal de alta escolaridade do Rio de Janeiro (1,7 mil), Goiânia (1,6 mil) e Belo Horizonte (1,3 mil). No mesmo período, a capital brasileira teve de ceder 922 pessoas qualificadas à sua periferia, na microrregião relativa a seu entorno. O último Censo também revela que Brasília é o segundo polo receptor de cérebros de São Paulo, com 620 pessoas dessa faixa educacional, dividindo a posição com Florianópolis, que recebeu a mesma quantidade. Ambas perderam apenas para Curitiba, que recebeu 1,4 mil migrantes. Neste caso, a proximidade entre ambas as metrópoles favorece muito a capital paranaense.
Desde sua gênese, Brasília é um caso à parte. Inaugurada em 1960, então chamada de Capital da Esperança, passou a contar com fluxo crescente de recursos federais e com a Universidade de Brasília (UnB), um polo de conhecimento que se tornou matriz da vasta rede de ensino superior hoje existente, sem contar a proliferação de cursos preparatórios para concursos e vestibulares. A interação desses fatores fez com que a microrregião de Brasília consolidasse a liderança nacional de migrantes de alta escolaridade do país em relação à população total. Em 2010, essa era a microrregião brasileira de maior porcentagem de pessoas com alta escolaridade (24,2%).
EXPORTAÇÃO CARIOCA
Embora apresente o mesmo fenômeno de desconcentração populacional paulista, a sangria carioca de cérebros é mais acentuada, pois esse deslocamento ocorre, em termos rd80not01img06quantitativos, tanto dentro quanto fora do estado. Lidera a recepção de pessoal qualificado procedente da microrregião do Rio de Janeiro a Região Norte Fluminense (3,7 mil), seguida de São Paulo (1,8 mil) e Distrito Federal (1,6 mil). O interesse pela Região Norte Fluminense está relacionado com a demanda de profissionais pelo complexo de petróleo e gás ali instalado. No cômputo das saídas líquidas, o Rio amenizou um fluxo negativo, tendo exportado 15.045 cérebros, em 1991, número que diminuiu para 13.457, em 2000, e voltou a aumentar para 14.221, em 2010.
BEM-VINDOS, ESTRANGEIROS
Com gerações de idade mais avançada no Brasil, população imigrante caiu de 7,3% em 1900 para 0,3% em 2010 Em que pese a aceleração da imigração de trabalhadores estrangeiros para o Brasil desde a crise internacional de 2009 e a melhora dos fluxos na educação brasileira, o fato é que o país se ressente do fato de não possuir mão de obra qualificada em quantidade suficiente para turbinar maiores ganhos de produtividade. Atualmente, a taxa de imigração brasileira é muito baixa, pois, enquanto a média mundial é de 3% de imigrantes em relação à população do país, no Brasil esse índice não supera 0,3% do total de habitantes, muito menos que os 7,3% registrados na virada entre os séculos XIX e XX.
A taxa brasileira atual é menor que a da também fechada América Latina e muito menor que a de outros países grandes como Austrália, Canadá ou Estados Unidos. O interesse em migrar para o Brasil cresceu nos anos recentes e uma série de resoluções infralegais vem tornando a vida dos imigrantes menos complicada, mas há um longo caminho entre o país e a média mundial. No primeiro trimestre de 2014, o número de permissões de trabalho a estrangeiros foi 12% maior que em igual período de 2013. Entre os recém-chegados, a maioria vem de Itália, Japão e Portugal. São Paulo é o estado que mais atrai imigrantes, seguido do Rio de Janeiro e Ceará. A diretora da Subsecretaria de Ações Estratégicas da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR), Rosane Mendonça, entende que existem mais pontos positivos do que negativos sobre a importação de cérebros. “Além de suprir a falta de mão de obra qualificada, esses trabalhadores imigrantes trazem uma quantidade enorme de conhecimento que contribuirá muito em áreas como inovação.”rd80not01img07
Entre os maiores entraves à entrada dos imigrantes no país, Rosane cita a validação dos diplomas dos países de origem
dos estrangeiros por uma instituição nacional, pois muitos não são reconhecidos aqui. “Também há dificuldades para
obter coisas simples, como documento de identidade, assim como facilitar a mobilidade entre empresas, mudanças que
poderiam ser introduzidas na revisão da Lei de Imigração”, acrescenta. Segundo ela, pesquisa desenvolvida pela SAE
e pelo Ministério da Justiça junto a mais de 100 empresas poderá dar uma visão mais clara dos problemas relacionados
à importação de mão de obra pelo Brasil. “Ouvindo as empresas e sistematizando a informação, conheceremos melhor os entraves. A previsão é de que até setembro vamos divulgar esses resultados”, prevê Rosane.
Em uma época de crescentes fluxos internacionais de pessoas, a Lei de Imigração brasileira ainda remonta ao clima da Guerra Fria e da ditadura, que exilava opositores e desconfiava da entrada no país de potenciais adversários do regime, tratando a migração como questão, sobretudo, de segurança nacional.
“Não somos do hemisfério norte, temos muito espaço, trabalho, demanda e luta pela frente. Os estrangeiros são muito bem-vindos”, afirma a doutora em Antropologia Márcia Sprandel. De fato, a SAE vem conduzindo levantamentos que indicam o apoio da maioria dos brasileiros à vinda de profissionais qualificados de outros países. À revelia dos números censitários, o Brasil preserva sua auto-imagem de país de imigrantes, que recebe de braços abertos não apenas os estrangeiros dispostos a “gastar dinheiro” ao consumir serviços brasileiros no turismo, mas também os que aqui chegam para se fixar, intercambiar conhecimentos, culturas e “fazer dinheiro” em solo verde-amarelo.
CONHECIMENTO IRRADIADO
Sobre o período em que a proporção de estrangeiros no país atingiu a crista da série histórica conhecida, o Ipea publicou em 2008 o estudo Mudanças na concentração espacial das ocupações nas atividades manufatureiras no Brasil - 1872-1920, dos economistas Leonardo Monasterio e Eustáquio Reis. A partir de indicadores tão desagregados espacialmente quanto possível a partir dos dados históricos disponíveis, o trabalho mostra a relação positiva das proporções de imigrantes na manufatura em cada localidade brasileira em 1872 com os percentuais de população local posteriormente ocupados na manufatura em 1920. O papel desempenhado por imigrantes europeus em 1872 no desenvolvimento industrial, associado a investimentos na infraestrutura logística, é apoiado pelos coeficientes estimados: uma parcela maior de estrangeiros nas ocupações manufatureiras em 1872 impacta positivamente o crescimento relativo dessas ocupações no local, mudando a concentração espacial das atividades econômicas e da força de trabalho no país. “Em suma, a explicação está na redução dos custos de transporte gerada pelas ferrovias associada à imigração internacional subsidiada como solução institucional para a carência de mão de obra. O modelo de localização das atividades manufatureiras em 1920 sugere a importância dos custos de transporte, forças aglomerativas e externalidades associadas à imigração na concentração espacial da indústria brasileira”, afirmam os autores. As tais externalidades seriam os efeitos positivos da mistura de conhecimentos e tecnologias introduzidas pelos estrangeiros sobre a produtividade e a renda dos trabalhadores locais à sua volta.
PASSE LIVRE
O trabalho destaca que, na década de 1890, o estado e a cidade de São Paulo, em particular, absorveram fluxos maciços de imigrantes estrangeiros. Grande parte desses fluxos foi viabilizada pelo custeio da viagem pelo estado de São Paulo. A parcela da imigração subsidiada – em oposição à espontânea – foi de mais de 72%. Durante esse período, o fluxo bruto de imigrantes para São Paulo foi de mais de 1,13 milhão de pessoas, que se compara com uma população total de menos de 1,4 milhão de habitantes em 1890. Além de atenuar a escassez de mão de obra, a imigração internacional contribuiu aportando capital financeiro, tecnologia e capital humano, sobretudo para a cidade de São Paulo. Em 1890, a taxa de analfabetismo da população masculina no Brasil e no estado de São Paulo era, aproximadamente, 81%, e na cidade de São Paulo, 65%. Em 1920, a cifra caiu para próximo de 70% no Brasil e no estado de São Paulo e para 36% na cidade de São Paulo. As economias de escala e de aglomeração decorrentes da redução dos custos de transporte e o acúmulo de capital humano e tecnologia possibilitaram à cidade de São Paulo se tornar o epicentro da industrialização brasileira. Entre 1890 e 1930, aproximadamente 2 milhões de estrangeiros imigraram para São Paulo, contra apenas 500 mil brasileiros. Só a partir de 1930 os fluxos de migração interna tornaram-se significativos.
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EFEITO SANFONA
Cidades universitárias, como Santa Maria (RS) e Viçosa (MG), têm características próprias quanto ao fluxo migratório. Nelas ocorre uma espécie de “efeito sanfona”, pois recebem um contingente expressivo de migrantes em busca de uma formação superior, durante certo período. Uma vez formado, esse pessoal qualificado retorna às suas cidades de origem ou para estados que lhes apresentem demanda profissional. “Por ser uma cidade universitária, Santa Maria (RS) é uma fábrica de pessoas com alta escolaridade. Não tem pujança econômica para segurar as pessoas. O mesmo ocorre com a também universitária cidade de Viçosa, em Minas”, diz Ellery.

DOADORA UNIVERSAL
Batizada de “doadora universal” pelos pesquisadores, Belém (PA) se destaca na Região Norte por apresentar saldo migratório marcado pela saída de 2.459 indivíduos de alta escolaridade entre 1986 e 1991. Segundo dados dos Censos de 2000 e de 2010, a capacidade de atração da microrregião da capital paraense caiu ainda mais, mesmo para os indivíduos de baixa escolaridade. A maioria de seus migrantes se dirige – ainda em grande número – a São Paulo, que atraiu 1.123 pessoas. Em segundo lugar, a microrregião de Macapá (872) e Rio de Janeiro (711).
No que se refere aos fluxos estabelecidos com o Sudeste, o Sul e o Centro-Oeste, a migração dos altamente escolarizados oriundos da microrregião Belém provocou mais concentração que redistribuição. Apesar de ter recebido, em 2010, 243 pessoas de localidades mais bem providas de indivíduos de alta escolaridade, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro, a capital paraense perdeu mais do que o triplo deste contingente para outras microrregiões com este perfil. Em termos de saldo, partiram de Belém 1.564 pessoas para regiões localizadas no Norte do país, onde, em média, a disponibilidade de indivíduos com alta escolaridade era menor.
BELO HORIZONTE
O caráter absorvedor de população com alta escolaridade é o traço marcante da microrregião Belo Horizonte, sobretudo de 2005 a 2010, quando apresentou crescimento de 1.375%, se comparado ao período de 1986-1991. Naquela mesma época, a microrregião atraiu 151 mil indivíduos e enviou 115 mil para o restante do país, com saldo positivo de 35 mil migrantes, dos quais quase sete mil tinham alta escolaridade. Em termos absolutos, a microrregião que mais cedeu população de alta escolaridade para Belo Horizonte, entre 2005 e 2010, foi São Paulo (1.829 pessoas), seguida de Divinópolis (1.772) e Rio de Janeiro (1.635).rd80not01img09

Por definição, saldos redistributivos são aqueles em que há migração de microrregiões mais escolarizadas para menos escolarizadas, enquanto saldos concentradores são aqueles cujo sentido da migração é de microrregiões menos escolarizadas para mais escolarizadas.Além disso, 19 microrregiões mineiras, que se encontravam entre as 25 brasileiras onde houve as maiores evasões de indivíduos altamente escolarizados, “perderam” para Belo Horizonte, juntas, um total de 11.249 pessoas com este nível de formação. Os fluxos intraestaduais de migração de alta escolaridade com destino ou origem na microrregião de Belo Horizonte só tiveram saldo positivo em dez das 65 outras microrregiões de Minas Gerais.
Para os pesquisadores, a análise dos fluxos migratórios e de seus desdobramentos sociais e econômicos nos territórios poderá municiar com informações relevantes futuras políticas públicas, como a melhor definição do perfil desse migrante, suas áreas de formação superior, condições de inserção profissional e níveis de renda nos locais de destino. Por meio delas, será possível comparar os dados desse migrante com os de conterrâneos que permaneceram nos locais de origem, além de apontar os efeitos desse deslocamento sobre o indivíduo, o território que o acolhe e o próprio desenvolvimento econômico nacional.